Geral Arrendar casa em Portugal: mercado ainda subdesenvolvido Arrendar casa em Portugal continua limitado, com arrendamentos informais a poderem chegar a 60%, alerta a OCDE no seu ´Economic Survey´. 12 jan 2026 min de leitura Mercado de arrendamento em Portugal: subdesenvolvido e fragmentado Arrendar casa em Portugal enfrenta desafios históricos. Segundo a OCDE, apenas 12% das famílias vivem em casas arrendadas formalmente, enquanto os arrendamentos informais podem atingir 60%. O relatório identifica que reformas anteriores para aumentar a oferta tiveram sucesso limitado devido à fragmentação regulamentar, ao congelamento das rendas anteriores a 1990 e à instabilidade política, que afeta a confiança dos investidores. Além disso, o parque habitacional português, embora grande em termos percentuais, revela-se ineficiente. Muitas casas não são residências principais: 12% estavam vazias e 19% eram usadas como casas de férias em 2021. Em Lisboa, 14,9% dos imóveis estavam vazios e 9,3% eram casas de férias, demonstrando uma oferta pouco orientada para habitação permanente. Falhas estruturais e impactos no investimento e na eficiência energética A OCDE sublinha que o fraco investimento em habitação ao longo das últimas décadas, os altos preços dos terrenos, os custos de construção e a escassez de mão-de-obra qualificada contribuem para o desajustamento do mercado. O tempo para obter licenças de construção é elevado: em 2023 variou de 272 dias no Funchal a 548 em Coimbra, 545 em Lisboa e 453 no Porto. Outro ponto crítico é a eficiência energética das habitações. Apesar do clima ameno e da baixa procura energética, a fraca qualidade das casas contribui para elevados níveis de pobreza energética, afetando a saúde e o bem-estar dos residentes. Pressão da procura e tendências do mercado O aumento do número de agregados familiares (+13% entre 2010 e 2023) e a tendência para unidades familiares mais pequenas agravam o desajustamento entre oferta e procura. Os preços relativamente baixos dos imóveis também atraíram compradores estrangeiros, responsáveis por cerca de 10% das transações entre 2019 e 2024, sobretudo em imóveis de maior valor ligados aos vistos ‘gold’. O turismo e o crescimento dos alugueres de curta duração também pressionam o mercado. Em Lisboa, os imóveis anunciados no Airbnb passaram de 18.277 em setembro de 2019 para 21.181 em dezembro de 2024, representando cerca de 7,6% das habitações urbanas. Apesar do aumento do investimento em habitação social, Portugal gastou apenas 0,1% do PIB em 2022, mantendo um parque social entre os mais baixos da OCDE. Arrendar casa em Portugal continua, assim, condicionado por um mercado fragmentado, oferta insuficiente e pressão crescente da procura nacional e internacional. Fonte: Supercasa Geral Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado