Parque de Campismo da Praia do Pedrógão reabriu portas este verão, mas quem ali transformou roulottes em “casas” está agora a ser confrontado com uma realidade dura: as estruturas construídas de forma irregular vão ter mesmo de ir abaixo. A Câmara de Leiria alargou até abril de 2027 o prazo para extinguir os contratos antigos, incluindo os renovados no ano passado, mas deixou claro que o regulamento do parque tem de voltar a ser cumprido.

Segundo o Público, o ambiente no parque é marcado por revolta e desilusão entre muitos utentes que, ao longo de anos, investiram milhares de euros em anexos, alvéolos cimentados e verdadeiras moradias improvisadas. Há casos de quem pagou cerca de 13 mil euros em rendas e mais de 20 mil em obras, acreditando ter ali uma casa de férias quase permanente. Durante mais de uma década, o espaço foi gerido por uma empresa concessionária, até que a autarquia retomou a posse do parque, num processo conturbado. Nesse período, foi sendo passada a ideia de que se podia “assentar” ali, com estruturas fixas, apesar de o regulamento proibir coberturas rígidas, pavimentos impermeáveis e cercas permanentes.

A tempestade Kristin, que destruiu muitas dessas construções, acabou por expor ainda mais o problema. Funcionários municipais recordam que houve gente dentro destas “casas” durante o temporal e que “foi uma sorte não morrer ninguém”. Na vistoria feita após a recuperação da gestão, a Câmara identificou 120 situações irregulares, desde bases em betão e pavimentos cerâmicos a varandas, churrasqueiras individuais e muros de suporte. 

O vereador Luís Lopes explica, à mesma fonte, que foi precisamente o incumprimento reiterado do regulamento pela antiga concessionária que levou o município a rescindir o contrato e a impor agora a remoção das estruturas fixas, afastando, contudo, a ideia de que o objetivo seja expulsar todos os campistas anuais para dar lugar a um empreendimento de luxo.

O lado social pesa também na equação. Muitos dos utilizadores permanentes são reformados com pensões baixas ou ex‑emigrantes da região de Leiria, Pombal e Médio Tejo, para quem o parque funciona como segunda casa acessível junto ao mar, numa praia onde não existe qualquer unidade hoteleira.

A autarquia admite que quer, no futuro, requalificar o espaço, com bungalows e piscina, mas garante que, por agora, a prioridade é pôr ordem e recuperar condições básicas, adiadas também pelo impacto da tempestade. Entre os campistas de verão, há quem critique a proliferação de construções, mas defenda que o parque recupere o espírito de antigamente: mais sombra, mais serviços e menos degradação. Com capacidade teórica para três mil pessoas, o Parque do Pedrógão mal consegue hoje receber um terço disso, bloqueado por estruturas que cresceram durante anos à margem das regras e que agora começam, inevitavelmente, a cair.

Fonte: Idealista
Geral