BdP alerta para queda da margem

O Banco de Portugal (BdP) mostra preocupação com a evolução da margem dos bancos no crédito à habitação, após uma auditoria aos principais bancos nacionais. O supervisor concluiu que os spreads caíram para cerca de um terço na última década, refletindo uma descida estrutural na rentabilidade destas operações.
Em 2024, perto de 90% dos novos contratos apresentavam taxas comerciais inferiores a 1%, um nível considerado historicamente baixo e que levanta questões sobre o equilíbrio entre risco e rentabilidade no sistema financeiro.


Spreads em queda e mais concorrência

A redução da margem dos bancos no crédito à habitação está associada a um contexto de forte concorrência entre instituições financeiras, maior liquidez no sistema e crescimento do papel dos intermediários de crédito.
Segundo o BdP, o spread médio dos novos contratos situou-se em 0,89 pontos percentuais em 2024, face a valores significativamente superiores registados em 2014. Esta evolução reflete também mudanças nas políticas públicas e na estrutura do mercado, incluindo incentivos temporários e maior mobilidade dos clientes.
A preferência das famílias por contratos com taxa mista também contribuiu para esta dinâmica, alterando o perfil do risco e da rentabilidade do crédito habitação.

 Auditoria revela falhas nas práticas bancárias

A inspeção realizada pelo supervisor envolveu instituições que representam mais de 70% do mercado e identificou 72 deficiências, com diferentes níveis de impacto. A maioria foi considerada moderada, mas algumas foram classificadas como relevantes para a avaliação de risco.
O BdP apontou fragilidades na formalização das políticas de preços e na forma como os bancos integram todos os custos nas ferramentas de decisão. Estas falhas indicam, segundo o supervisor, um nível de cumprimento apenas moderado das práticas exigidas.
Estas conclusões vão ser consideradas no processo de supervisão anual, podendo influenciar os requisitos de capital das instituições.

Pressão regulatória e impacto no setor

A evolução da margem dos bancos no crédito à habitação levanta preocupações sobre a sustentabilidade da rentabilidade do setor, sobretudo num contexto de elevada concorrência e spreads comprimidos.
O Banco de Portugal reforça que os bancos terão de corrigir as deficiências identificadas e implementar planos de ação para melhorar os seus processos internos. Caso contrário, poderão enfrentar penalizações no âmbito da supervisão prudencial.
Ao mesmo tempo, a redução estrutural dos spreads continua a refletir um mercado mais competitivo, mas também mais pressionado em termos de margem financeira, com impacto direto na estratégia das instituições e no equilíbrio do sistema bancário.

Fonte: SuperCasa
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