Não residentes afastam-se e famílias lideram compra de casa em Portugal Preço médio da habitação atingiu novo máximo para quem vive no país, revela INE. Quem mora lá fora lida com nova taxa fixa de IMT. 24 set 2026 min de leitura A venda de casas está a cair em Portugal a olhos vistos, abrandando a subida dos preços. E esta tendência toca todo o tipo de compradores: as famílias, quem reside no país e também quem vive no estrangeiro. Apesar do travão generalizado nas transações, as famílias e os residentes no país continuam a liderar a compra de casa, com o preço médio a atingir máximos. Já os não residentes voltaram a afastar-se, até porque agora têm de acomodar a taxa única de 7,5% de IMT, sem direito a isenções. Embora se tenha sentido uma queda, a grande maioria das casas continua a ser vendida às famílias. É isso mesmo que mostram os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE): dos 40.142 fogos transacionados no país entre abril e junho de 2026, 87% foram vendidos a famílias (34.935 unidades), tratando-se de uma queda homóloga de 7,3%. Já “o valor das habitações adquiridas pelas famílias ascendeu a 9,3 mil milhões de euros (86,6% do total), 3,6% acima do montante contabilizado no mesmo trimestre de 2025”, lê-se no boletim publicado esta terça-feira, dia 22 de setembro. Isto quer dizer que as famílias estão a comprar menos casas, mas bem mais caras. O preço médio cresceu 11,8% num ano, atingindo 265.135 euros no segundo trimestre de 2026, o maior valor de sempre. Mas de onde vêm estas famílias (bem como outros setores institucionais) que compram casa em Portugal? O INE também revela que a maior parte das transações foram protagonizadas por compradores residentes em território nacional (95,3% do total, o equivalente a 38.252 fogos), apesar de o número de vendas ter caído 6,2%. Este conjunto de transações por residentes totalizou 9,9 mil milhões de euros, resultando num aumento de 4,8%. Portanto, também se sente que os residentes em Portugal estão a comprar menos casas, mas mais caras, com o ticket médio a fixar-se no novo recorde de 258.832 euros. Trata-se de um aumento de 11,8% face a um ano antes. Estes altos preços das casas num contexto de escassa oferta acessível, agravamento dos juros e da inflação, poderá estar a afastar do mercado quem tem menos poder de compra. Não residentes voltam a recuar com nova taxa fixa de IMT Há três anos, tem-se sentido um afastamento dos compradores que vivem fora de Portugal (emigrantes ou estrangeiros). Esta foi a reação gerada pelo fim dos vistos gold para investimento imobiliário no final de 2023, seguido do término do antigo regime para residentes não habituais no ano seguinte. Desde maio deste ano, os não residentes têm de lidar com uma nova medida na hora de comprar casa: a taxa única de 7,5% de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT), sem direito às reduções ou isenções habituais. Esta medida já está a ter impacto em baixa no crédito habitação pedido por estes compradores que vivem fora do país, tal como mostram os dados do idealista/créditohabitação. Agora, o INE mostra que os não residentes continuam a comprar menos casas. No segundo trimestre, adquiriram apenas 1.890 alojamentos (4,7% do total), o que representa uma redução homóloga de 10,3%. Também o valor investido na compra de casas por não residentes caiu 3% no último ano para 796 milhões de euros. Mas, ainda assim, o ticket médio cresceu 7,6% num ano para 421.166 euros (não se tratando de um máximo). “A um nível mais desagregado, a categoria União Europeia (UE) registou 946 transações, valor semelhante às 944 vendas contabilizadas na categoria Restantes Países, sendo que em ambos os casos, observaram-se reduções homólogas no número de transações, -14,9% e -5,1%, respetivamente”, detalha o INE no boletim. Também se sentiu uma queda no valor investido de 9% para os residentes na UE e de 1% para os países além-fronteiras europeias. Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado